10/02/2012

Profissão de repórter

Mesmo sendo um conhecedor das palavras, jornalista não é escritor. Eu sei! Mesmo assim o teu texto é algo que você produziu, pensou, criou e escreveu. Logo se veio de dentro de ti, trouxe um pouco do seu “eu”, por mais jornalístico que seja.
Ouvi da minha editora não uma crítica destrutiva, mas uma chamada de atenção em alguns pontos mínimos que podem fazer toda a diferença no produto final da minha matéria. Esta semana, o meu trabalho começou com uma pauta sobre um idoso de 74 anos de idade que foi atropelado e o motorista não prestou socorro. A reportagem foi sugerida por uma colega de trabalho que presenciou o acidente e viu o homem ser arremessado por quase 5 metros. “Já pensou se fosse com o meu pai ou com o meu avô?”, pensava ela.
Juntos, produzimos a pauta. Fui atrás do proprietário do veículo que atingiu seu José deixando ele com escoriações na barriga e perna esquerda. Testemunhas não viram quem dirigia por isso não davam certeza sobre quem poderia ser o criminoso – sim, criminoso! Porque omitir socorro é crime conforme os códigos Penal e de Trânsito. Alguns afirmaram que era mulher dirigindo, porém não davam certeza.
Também não posso dizer, nem afirmar, que tenha sido o próprio dono do Honda Civic, preto, o responsável pelo ato. Ninguém viu! Além disso, seria muito triste saber que um advogado omitiu socorro.
Depois conheci a vítima, o seu José Domingos. Homem humilde, deficiente visual (não enxerga de um lado da vista), pouco instruído, receptivo, ingênuo e dono de um coração acolhedor. Impossível não simpatizar com este “vovô” que abre as portas da própria casa e te convida para entrar e sentar, sem deixar de oferecer um café. Ele mora com esposa, dona Maria, 62 anos, que não sabe ler e nem escrever, mas é tão carismática quanto o seu José.
Os dois não sabiam dos direitos deles. Não tinham ideia de que poderiam denunciar o caso. Somente agradeciam a Deus o fato de seu José não ter morrido ou ficado com sérios problemas. Dizem que na hora do acidente ele ficou tão atordoado que não conseguiu nem dá o endereço dele direito.
O filho não quis denunciar o caso à polícia. Ele está desacreditado no que se refere a justiça. Alegou conhecer casos de atropelamento em que a pessoa nunca recebeu alguma indenização ou seguro e também disse conhecer pessoas que estão há 5 anos em processo deste tipo na justiça a espera de ser resolvido.
A critica da minha editora foi em relação ao nível de emoção dado a matéria. Ela não gostou muito da ideia de colocar o relato da outra repórter, que viu o carro bater o ancião e fugir, nem quando escrevi que a testemunha tinha ficado indignada. Isto poderia não ser usado – eu sei! Mas considerei necessário para dar mais verdade a matéria. Penso que quando escrevemos desta forma, o leitor consegue ficar mais próximo da mensagem que quero passar.
Esta foi uma das melhores pautas que já fiz! Foi complexa para apurar e prazerosa. O desfecho foi bom porque o seu José não faleceu ou quebrou algum osso. Citamos o problema da omissão de socorro em acidentes de trânsito, algo que se tornou mais “comum” do que se imagina. Aceito a opinião da minha editora e respeito. Bem como ela respeitou a mim e a matéria que escrevi.
A nobreza do jornalismo mais uma vez prevaleceu.

27/01/2012

A formatura em um lead

Em poucas horas eu vou receber o canudo que simboliza o diploma que me concederá o título de jornalista. Na verdade, de Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, para ser mais exato. Junto de outros jornalistas por formação que também passam a formar a nova geração de comunicadores compartilhamos esta boa notícia. O que este momento representa, respondo com as perguntas básicas que todo repórter (jornalista) faz:
O que?
A conquista de um objetivo. O alcance de uma meta. A realização de um sonho que contou com o apoio de familiares e amigos. Agora assumo a responsabilidade de informar a sociedade.
Quando?
Durou quatro anos, começou em 2008 e encerrou em dezembro de 2011 após a aprovação do TCC. Durante este período, enfrentamos desafios, obstáculos que pareciam ser insuperáveis e que se tornaram pequeno diante da determinação de ir mais longe do que se planejava.
Onde?
Na Região Metropolitana de Belém, onde o mercado é escasso, restrito. Mesmo assim tive oportunidades de conviver com ele.
Como?
Com esforço, dedicação e, sobretudo, determinação.
Por quê?
Porque acredito na realização de sonhos e que para conseguir isto devia estar acordado e com os pés no chão. Porque queria mostrar ao mundo, sem provar nada para ninguém, que eu vim e venci!
Em algumas redações, a gente brinca que deveria existir uma 7ª pergunta no lead que é: E daí?
E daí que chegar até aqui não implica no maior dos “feitos”. Este momento apenas num dos passos dados para atingir o objetivo maior que é a realização profissional e, consequentemente, pessoal. O fato é que o sentimento que passa agora é o de dever cumprido. Por enquanto, me restam as expectativas e a esperança de ser contratado no mercado de trabalho. Deixo para descrever o que estou sentindo de fato depois da solenidade. Aos que torceram por mim, deixo o meu muito obrigado. Este é apenas o começo!

16/01/2012

Adeus a Miss

Hoje, Belém amanheceu chuvosa e por que não dizer que não era chuva e sim lágrimas de anjos que festejavam a sua chegada ao reino de Deus? Neste dia frio, no qual familiares, parentes e amigos se despediram de ti ficou difícil até lembrar as vezes em que você disse que “essa cidade de vocês é muito quente”. Mesmo assim, a dignidade nunca permitiu que você saísse dela e aventurasse em outras capitais, apesar dos muitos convites. Aqui você fez o seu nome e espalhou a sua alegria. Tornou-se a eterna Miss Ananindeua Gay dois mil e... Sei lá! Perdi as contas, nem lembro mais por quanto tempo carregaste este título, ano após ano.
Como Miss ou como amiga carregaste a realeza da amizade verdadeira. Levantaste, literalmente, a bandeira do respeito. Sem jamais ter deixado de lado a simplicidade e a humildade. Fortes a pessoa mais humana e uma das mais verdadeiras que tive o privilégio de conhecer e ser amigo. Lembro-me da primeira vez em que vieste em casa, no dia do meu aniversário, toda tímida fez questão de dizer que era “travesti” (transexual) quando falou com a mamusca. Todavia, sempre se portou como uma dama.
Nos conhecemos quando eu ainda começava a minha carreira no jornalismo. Brincava que ainda seria o teu assessor de imprensa – e por algumas vezes eu fui. A última vez em que tratei de relacionar você com os veículos de comunicação, foi em agosto do ano passado, quando no final da matéria sobre a Parada LGBT de Ananindeua, coloquei uma nota do seu casamento. Fortes a primeira “transex” do município a oficializar a união estável.
Nesta época, estávamos um pouco distantes, porém nunca ausentes. Eu precisava concluir a universidade e você, Lay, iniciava a vida de casada. Mesmo por telefone, confidenciamos segredos e conversas nunca reveladas a ninguém. A nossa amizade poucas pessoas seriam (ou serão) capazes de compreender, uma vez que sempre foi isenta de qualquer preconceito. Agora o que me resta dizer é que esta nossa amizade transcendeu para a eternidade.
Os amigos cuidaram para que partisse tal qual como você desejava. A maquiagem impecável, o cabelo sempre bem arrumado. Até a bolsa não podia faltar. Não vou me despedir com tristeza porque isso seria a última coisa que você queria. Te digo "vá com Deus" desenhando apenas um sorriso porque isto não pude conter ao lembrar da trajetória da nossa amizade.
Descanse em paz, Laynara Loredana!

12/01/2012

Belém 396 anos

Ontem, acordei de madrugada para fazer uma pauta especial sobre o aniversário de Belém que completa neste dia 396 anos de fundação, mas com o discurso da “Belém 400 anos”. A idéia inicial seria a de escrever sobre o cotidiano da cidade sob uma óptica que poucos conhecem. Deixar de lado o principal cartão postal da cidade, Mercado do Ver-o-peso, ou até mesmo as ruas históricas da Cidade Velha. Eu ia conhecer um pescador que mora na Vila da Barca, no bairro do Telégrafo. Em princípio, acompanhar com ele o suposto desenvolvimento da cidade – a começar pelo fato dele, morador de uma área urbana de Belém (carente de saneamento básico, saúde, infraestrutura e educação) exercer uma função “ribeirinha”.
Enquanto seguia para o jornal observei o quanto alguns aspectos do amanhecer da cidade mudaram em relação há 10 anos – quando eu ia para escola. O ônibus estava predominantemente frequentado por mulheres, com uma faixa etária de 30 a 40 anos. Outros coletivos que passaram ao lado também apresentavam esta característica. Não sei se era um dia atípico, mas antes, o transporte coletivo de madrugada era frequentado por homens. Se eu estivesse trabalhando em algum veículo iria sugerir esta pauta a respeito disso. O trânsito, às 6 h, já dá sinais de que em poucos minutos ficará engarrafado.
Na Vila da Barca, um aspecto que todos estamos cansados de ver: Uma fila enorme em frente ao Posto de Saúde. O seu Nazareno comentou que todo dia é assim e acrescentou que não devíamos nos preocupar com assaltos porque a área já não era mais tão perigosa como costumava a ser há pouco tempo.
O cenário da pauta realmente demonstrava uma contradição na capital paraense. A altura dos nossos olhos um ambiente sujo, sem saneamento básico e de palafitas em ruínas com o esgoto passando por de baixo. Levantando o rosto, sob um ângulo de 45°, o que enxergamos são prédios modernos, torres, onde um apartamento custa em média R$ 500.000, enquanto que uma palafita daquelas não vale nem cinco mil.
De acordo com o pescador, as obras de saneamento prejudicaram a vida e o sustento de quem depende dos rios que banham a cidade. O esgoto matou espécies de peixe e deixa outras impróprias para o consumo humano. Sua renda, antes farta, agora não ultrapassa R$ 300 e mal pode fazer a cesta básica que garantiria a alimentação da esposa e dos filhos. Como complemento da renda, seu Nazareno vai ao Ver-o-peso trabalhar como carregador. Na mesma área outras dez famílias enfrentam a mesma situação.
Esta é a verdadeira imagem da “Belém 400 anos”, cheia de contradições. Onde se tenta maquiar os problemas vividos por quem faz dela ser tão acolhedora como é. Seu Nazareno é um bom exemplo da receptividade da cidade, já que se mudou de Cametá para cá quando tinha somente 5 anos de idade.
Não gostaria de fazer nenhuma critica ao poder público – que deixa a desejar em quase todas as suas esferas, senão em todas. Mas acho que antes de se falar em “Belém 400 anos”, vamos pensar no muito que falta para chegar até lá. Faltam 4 anos, ou seja, tempo de mandado do prefeito que vai assumir a partir do ano que vem, quando a cidade das mangueiras completará ainda 397 anos.

31/12/2011

E que venha o novo ano!

Passo a virada de ano assim:
Começo o dia 31/12 com a mochila nas costas e os espírito de aventura incorporado e pronto para ser renovado. Na bagagem, apenas o essencial - o básico - para passar dois ou três dias na ilha "mágica". O destino? Algodoal (leia como algod...UAU!).
Sou minimalista por natureza! Escolho recepcionar o novo ano a beira da praia, quando ele chega estouro o champanhe, abraço os amigos que estão por perto desejo-lhes o melhor e torço para que os nossos projetos se tornem a realidade. Nas vestes, uma camisa, uma bermuda e uma par de sandálias - na verdade pouco importa o que estarei usando e as pessoas a minha volta. Lá todos só querem saber de uma coisa: diversão!
Vale abraçar a quem você não conhece, conversar com outras pessoas que você nunca as viu antes... A sintonia é tamanha que parece que são amigos de infância.
Ao amanhecer, o primeiro banho começa com um mergulho de cabeça na água salgada - sim, eu acredito que isto funciona como uma "descarga" para retirar a inveja e o mau olhado que colocaram sobre mim e que atrapalharam a concretização de alguns projetos.
O espírito de aventura, a partir disso, se denota a coragem de enfrentar os novos desafios com determinação e sem medo de enfrentar o que estiver por vir - eu espero por coisas grandes, coisas boas e grandes feitos, pois é disso que estou em busca e dou o meu melhor para isso.E se tem algo que desejo é que todos nós possamos viver o máximo possível de momentos felizes neste ano que já começou desde que começamos a traçar as nossas metas para ele!
Vejo a gente grande em 2012!