Mesmo sendo um conhecedor das palavras, jornalista não é escritor. Eu sei! Mesmo assim o teu texto é algo que você produziu, pensou, criou e escreveu. Logo se veio de dentro de ti, trouxe um pouco do seu “eu”, por mais jornalístico que seja.
Ouvi da minha editora não uma crítica destrutiva, mas uma chamada de atenção em alguns pontos mínimos que podem fazer toda a diferença no produto final da minha matéria. Esta semana, o meu trabalho começou com uma pauta sobre um idoso de 74 anos de idade que foi atropelado e o motorista não prestou socorro. A reportagem foi sugerida por uma colega de trabalho que presenciou o acidente e viu o homem ser arremessado por quase 5 metros. “Já pensou se fosse com o meu pai ou com o meu avô?”, pensava ela.
Juntos, produzimos a pauta. Fui atrás do proprietário do veículo que atingiu seu José deixando ele com escoriações na barriga e perna esquerda. Testemunhas não viram quem dirigia por isso não davam certeza sobre quem poderia ser o criminoso – sim, criminoso! Porque omitir socorro é crime conforme os códigos Penal e de Trânsito. Alguns afirmaram que era mulher dirigindo, porém não davam certeza.
Também não posso dizer, nem afirmar, que tenha sido o próprio dono do Honda Civic, preto, o responsável pelo ato. Ninguém viu! Além disso, seria muito triste saber que um advogado omitiu socorro.
Depois conheci a vítima, o seu José Domingos. Homem humilde, deficiente visual (não enxerga de um lado da vista), pouco instruído, receptivo, ingênuo e dono de um coração acolhedor. Impossível não simpatizar com este “vovô” que abre as portas da própria casa e te convida para entrar e sentar, sem deixar de oferecer um café. Ele mora com esposa, dona Maria, 62 anos, que não sabe ler e nem escrever, mas é tão carismática quanto o seu José.
Os dois não sabiam dos direitos deles. Não tinham ideia de que poderiam denunciar o caso. Somente agradeciam a Deus o fato de seu José não ter morrido ou ficado com sérios problemas. Dizem que na hora do acidente ele ficou tão atordoado que não conseguiu nem dá o endereço dele direito.
O filho não quis denunciar o caso à polícia. Ele está desacreditado no que se refere a justiça. Alegou conhecer casos de atropelamento em que a pessoa nunca recebeu alguma indenização ou seguro e também disse conhecer pessoas que estão há 5 anos em processo deste tipo na justiça a espera de ser resolvido.
A critica da minha editora foi em relação ao nível de emoção dado a matéria. Ela não gostou muito da ideia de colocar o relato da outra repórter, que viu o carro bater o ancião e fugir, nem quando escrevi que a testemunha tinha ficado indignada. Isto poderia não ser usado – eu sei! Mas considerei necessário para dar mais verdade a matéria. Penso que quando escrevemos desta forma, o leitor consegue ficar mais próximo da mensagem que quero passar.
Esta foi uma das melhores pautas que já fiz! Foi complexa para apurar e prazerosa. O desfecho foi bom porque o seu José não faleceu ou quebrou algum osso. Citamos o problema da omissão de socorro em acidentes de trânsito, algo que se tornou mais “comum” do que se imagina. Aceito a opinião da minha editora e respeito. Bem como ela respeitou a mim e a matéria que escrevi.
A nobreza do jornalismo mais uma vez prevaleceu.
Ouvi da minha editora não uma crítica destrutiva, mas uma chamada de atenção em alguns pontos mínimos que podem fazer toda a diferença no produto final da minha matéria. Esta semana, o meu trabalho começou com uma pauta sobre um idoso de 74 anos de idade que foi atropelado e o motorista não prestou socorro. A reportagem foi sugerida por uma colega de trabalho que presenciou o acidente e viu o homem ser arremessado por quase 5 metros. “Já pensou se fosse com o meu pai ou com o meu avô?”, pensava ela.
Juntos, produzimos a pauta. Fui atrás do proprietário do veículo que atingiu seu José deixando ele com escoriações na barriga e perna esquerda. Testemunhas não viram quem dirigia por isso não davam certeza sobre quem poderia ser o criminoso – sim, criminoso! Porque omitir socorro é crime conforme os códigos Penal e de Trânsito. Alguns afirmaram que era mulher dirigindo, porém não davam certeza.
Também não posso dizer, nem afirmar, que tenha sido o próprio dono do Honda Civic, preto, o responsável pelo ato. Ninguém viu! Além disso, seria muito triste saber que um advogado omitiu socorro.
Depois conheci a vítima, o seu José Domingos. Homem humilde, deficiente visual (não enxerga de um lado da vista), pouco instruído, receptivo, ingênuo e dono de um coração acolhedor. Impossível não simpatizar com este “vovô” que abre as portas da própria casa e te convida para entrar e sentar, sem deixar de oferecer um café. Ele mora com esposa, dona Maria, 62 anos, que não sabe ler e nem escrever, mas é tão carismática quanto o seu José.
Os dois não sabiam dos direitos deles. Não tinham ideia de que poderiam denunciar o caso. Somente agradeciam a Deus o fato de seu José não ter morrido ou ficado com sérios problemas. Dizem que na hora do acidente ele ficou tão atordoado que não conseguiu nem dá o endereço dele direito.
O filho não quis denunciar o caso à polícia. Ele está desacreditado no que se refere a justiça. Alegou conhecer casos de atropelamento em que a pessoa nunca recebeu alguma indenização ou seguro e também disse conhecer pessoas que estão há 5 anos em processo deste tipo na justiça a espera de ser resolvido.
A critica da minha editora foi em relação ao nível de emoção dado a matéria. Ela não gostou muito da ideia de colocar o relato da outra repórter, que viu o carro bater o ancião e fugir, nem quando escrevi que a testemunha tinha ficado indignada. Isto poderia não ser usado – eu sei! Mas considerei necessário para dar mais verdade a matéria. Penso que quando escrevemos desta forma, o leitor consegue ficar mais próximo da mensagem que quero passar.
Esta foi uma das melhores pautas que já fiz! Foi complexa para apurar e prazerosa. O desfecho foi bom porque o seu José não faleceu ou quebrou algum osso. Citamos o problema da omissão de socorro em acidentes de trânsito, algo que se tornou mais “comum” do que se imagina. Aceito a opinião da minha editora e respeito. Bem como ela respeitou a mim e a matéria que escrevi.
A nobreza do jornalismo mais uma vez prevaleceu.

