09/02/2010

Ghetto reggae Belém

O reggae é um estilo de música originário da Jamaica que traz consigo um conjunto de filosofias e pensamentos que então em harmonia mente e alma, Bob Marley, cantor e compositor é o ícone deste estilo musical, uma das características que podem caracterizar o reggae é a critica social, como por exemplo: cantar, a desigualdade, o preconceito, a fome e muitos outros problemas sociais para tentar desviar os olhos do povo para isto, um modo de alertar e incentivar o povo a se mobilizar contra seus problemas.

E para quem acha que Belém é o ritmo apenas do brega e do carimbó está enganado, a capital paraense está entre as cidades brasileiras onde o movimento reggae é mais difundido. Temos locais específicos que tocam reggae, onde DJs conhecidos nacionalmente e bandas de excelente qualidade agitam o público formado, em grande maioria, por jovens.

Em Belém, o movimento do reggae surgiu há mais de 30 anos, tendo como um dos precursores o mestre Ras Alvin, ele se reunia com amigos em sua própria casa daí fundaram a primeira casa de reggae em Belém, a qual recebeu o nome de "Toca do reggae". Seu Ras Alvin até hoje possui uma barraca de discos no centro da cidade, onde se encontram verdadeiras relíquias do ritmo jamaicano.

Na década de 90 surgiram vários grupos de reggaes, preocupados com a questão social, grupos esses formados por jovens da periferia de Belém. Eles atuam em suas áreas em parceria com os centros comunitários e movimentos sociais, principalmente no combate ao racismo, são seguidores do que dizia Bob Marley:

"Não preciso ter ambições. Só tem uma coisa que eu quero muito: quero que a humanidade viva unida... Negros e brancos, todos juntos."

"Enquanto cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos haverá guerra."

Este é o ponto comum entre os regueiros de Belém com os do Brasil e do mundo: a filosofia reggae, de combater a discriminação racial, pregando a fraternidade entre os seres humanos, respeitando sua diferença racial e principalmente social, tentando mudar o contexto de abandono pelos governantes.

Desta maneira, o reggae está enraizado na cultura paraense, assim como o carimbó e outros ritmos que podem ser ouvidos por onde se passa. A terra que nos deu vários artistas como Pinduca, Calypso, Wanderley Andrade, dentre outros, começa a despertar também para o Reggae. Hoje as festas de Reggae são umas das mais procuradas nos fins de semana. As primeiras casas de shows e bares que tocavam Reggae foram: Espaço do Reggae, Coisa de Negro, dentre outros. Atualmente os lugares mais visitados são: Porto Solamar, Mormaço, Açaí Biruta Bar, Baiúca, Rainha Bar, Coco Verde, Casa Velha.

Em todos estes lugares a estrutura, o cenário, nos remete a um estilo rústico – palafita, localizados de frente para o Rio onde o pôr do sol é um espetáculo a mais para quem aprecia o reggae. O público tem uma característica singular, é uma formação híbrida de pessoas de várias origens, classes sociais e raça, todos iguais no amor e no sentimento de alegria.

Um no estilo de música surgiu nas rádios paraenses a mais de 20 anos, dentre as bandas mais tocadas desde essa época até os dias atuas são: "Nego Jô e Leões de Soweto" (primeira Banda de Reggae da região), "Six Marley", "Holly Pype", "Sevilha", "Cristal Reggae", "Amazon Java", "Gaia na Gandaia", "JAHFFA REGGAE", "Kayamakan", "Bris Zaboa", "Yemanjah Roots" entre outras.

Uma curiosidade muito grande é que a maioria dessas bandas já possui algumas musicas de autorias próprias apesar de tocarem musicas internacionais e traduções.

Além das bandas locais Belém já recebeu (e até hoje recebe) grandes nomes do Reggae conhecidos mudialmente como: Culture, Eric Donaldson, Inner Circle, Ziggy Marley & Melody Makers, Mighty Diamonds, Ijahman, The Gladiators, Clinton Fearon, Larry Marshall, Alpha Blondy, entre outros. Um dos shows mais esperados em 2009 aconteceu no dia 15 de novembro, o "príncipe" jamaicano Gregory Isaacs dividiu o palco com a banda Norte Americana SOJA (soldiers of jah army).

Estilo e vocabulário dos Regueiros em Belém

Uma tribo urbana é uma espécie de pacote de gosto musical, ídolos, roupas e acessórios. As pessoas que curtem o estilo reggae são conhecidas como regueiras e se mostram aparentemente calmas, cools, estilosas, etc. Geralmente os regueiros usam roupas e acessórios que tenham as cores do reggae, vermelho, verde, preto e amarelo. As mulheres geralmente usam saias longas e camisetas no estilo hippie ou indianos, não diferentes, estão os homens que se vestem no mesmo estilo.

Os acessórios tanto masculinos, quanto femininos são confeccionados por artesões, com matérias primas da natureza, como sementes, pedaços de madeira, penas de aves e mais a criatividade do artesão. Outra característica dos regueiros são os dreads, bolos cilíndricos de cabelo que aparentam "cordas" presas no topo da cabeça.

O importante é acima de tudo se sentir bem, os regueiros usam roupas soltas, que deêm liberdade no movimento para dançar e que sejam confortaveis, as pessoas do reggae não tem preconceitos, estão mais preocupadas em se divertir e curtir o momento.

O reggae é muito mais do que vestir uma roupa temática, ir a um show ou ter dreads, o importante é ter atitude, carater e seguir a filosofia reggae, lutando principalmente contra o preconceito social e racial.

Como em outras tribos, os regueiros também possuem um vocabulário próprio, algumas palavras podem ser facilmente compreendidas, mas outras só mesmo quem participa do movimento sabe seu significado. A exemplo temos, Jah (Deus), rainha (regueira), pedras (musicas antigas), dreadlocks (tranças no cabelo), irie (legal), yaga yaga (saudação), entre outros.

Um comentário:

  1. Falando em Nome do Grupo:
    Gostariamos que voces nos ajudassem divulgando este evento beneficiente no seu blog. Desde ja Agradecemos. "Nós nos Abraçamos e Tornamos um Mundo Melhor". Janis Borges-Coordenadora do PROSAJAH - Fone: 88456592 - Email: janis.b.s@hotnmail.com

    O Grupo PROSAJAH - Projeto Solidário "Anjos de Jah" fara novamente festa de reggae beneficente em Icoaraci

    Neste domingo (26/08), será realizada a 6ª edição do Projeto Reggae Solidário no Bar e teatro “Coisas de negro”, em Icoaraci. Este evento tem o objetivo de arrecadar alimentos não perecíveis para a Fundação Pestalozzi do Pará. Uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos que atende 870 crianças com deficiência intelectual, passa por dificuldades e necessita de apoio para continuar funcionando, bem como, depende de doações para se sustentar.

    Espera-se que este Reggae Solidário reúna um número ainda maior de participantes, O Grupo PROSAJAH desponiabiliza-se a abraçar mais esta causa, doando toda a arrecadação para esta entidades do bem. Nós já estamos com esse projeto há mais de dois anos. Depois desse evento, pretendemos levar a ação do Reggae solidário para outras comunidades que também precisam da nossa ajuda”, completa a Srª. Janis Borges Coordenadora do Evento.

    O local onde será realizada a festa é um ponto de encontro tradicional dos apreciadores do gênero, mas aos poucos vem se tornando também um espaço para a solidariedade entre apreciadores de reggae e pessoas que participam do evento apenas pela vontade em colaborar com a causa.

    Esta não será a primeira edição do evento. Nos últimos Meses, o projeto Ja conseguiu ajudar varias comunidades carentes ramificadas em Icoaraci, São realizados reggaes solidários periódicos em datas como o dia das crianças, dias das mães e natal...

    O evento terá a apresentação de vários DJs e convidados, sem falar em uma deliciosa feijoada e churrasco que serão servidos aos nossos convidados, totalmente gratis. O Reggae solidário é organizado pelo Projeto Solidário Anjos de Jah (PROSAJAH), em parceria com o projeto Viva Reggae.


    6º Reggae Solidário (PROSAJAH)
    Data: 28 de agosto (Domingo)
    Horário: 11h às 18h
    Local: Bar e teatro Coisas de negro – Trav. Lopo de Castro, esquina com a 6ª Rua (Icoaraci)
    Entrada: 1 kg de alimento não perecível

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